Sobre rotinas estressantes e prazeres ociosos.

Sobre rotinas estressantes e prazeres ociosos.

Quando eu era criança lembro que sempre gostei de me manter fixo a uma única rotina. Odiava amargamente os dias de domingo, pois eles me faziam sair do conforto de meu quadrático dia a dia e me submeter as tediosas e desconfortantes reuniões familiares. Festas de fim de ano então? Para mim eram uma amostra grátis das torturas do inferno.
O fato era que eu amava manter controle sobre a forma como as coisas aconteciam. Do desenho que eu assistia religiosamente às dez da manhã ao meu banho diário que sempre precisava acontecer as 17 horas, nada fugia da minha gerência e eu adorava isso.
Hoje em dia, já adulto e com vinte e tantos anos, me vejo preso a outra rotina, mas ela não é me é mais reconfortante, muito pelo contrário, sinto como se ela fosse uma pedrinha irritante no fundo do meu sapato.
Tenho tantas ideias para aprimorar, tantos projetos para pôr em prática… sonho com tantas coisas, mas me sinto aprisionado. Aprisionado a uma rotina rígida e desgastante que me obriga a trabalhar e ser produtivo o tempo todo. Em que momento a vida se tornou essa irritante junção de produtividade e trabalho? Por que diabos eu me sinto tão culpado por estar maratonando a nova temporada de Stranger Things no meu tempo de ócio? Por que eu sinto tempo todo que preciso estar sendo produtivo?
São dúvidas que me assolam diariamente e sobre as quais, infelizmente, ainda não possuo uma resposta.
Paulo Coelho já dizia que:
“Se você pensa que a aventura é perigosa, eu sugiro que você experimente a rotina… É mortal.”
O Zaqueu de 10 anos detestaria essa frase com toda a certeza existente no mundo, mas o de 24 concorda com ela em número, gênero e grau.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

*