A “SARÇA ARDENTE” E A VIDA ADULTA – PARTE 2

A “SARÇA ARDENTE” E A VIDA ADULTA – PARTE 2

Na primeira publicação, foi visto como a sarça, ardendo, representa as experiências aflitivas que o adulto precisa experimentar, em sua vida, visto fazer parte de um mundo envolvido pela tragédia do pecado, do sofrimento e da morte. Nesta segunda parte, veremos algo sublime, capaz de trazer alento e força, em nossos momentos de angústia. É a segunda lição que podemos aprender, com relação ao episódio da sarça ardente, no Monte Sinai. Vejamos, então.

LIÇÃO 2: A SARÇA NÃO SE CONSUMIA

Deve ter sido impressionante, para Moisés, ver a sarça ardendo, sem, no entanto, se consumir. Alguns podem pensar que o fogo era superficial e não penetrava na estrutura da sarça. Mas não é isso que a Bíblia diz! Ela afirma que a sarça ardia. E foi isso que chamou a atenção de Moisés. Ele via aquele arbusto inteiramente tomado pelas chamas, externa e internamente. Ele se revolvia, em sua estrutura, na medida em que o fogo o fazia arder! Que tremenda ilustração do homem que arde no fogo das adversidades, que sente sua estrutura humana agonizar, diante das inúmeras tragédias da existência! Somente depois que se deu conta de que a sarça, de fato, estava sendo impregnada pelas chamas, foi que Moisés teve sua atenção voltada para a realidade de que a sarça não se consumia. E isso também foi muito espantoso para o futuro líder de Israel. Porém, quarenta anos mais tarde, olhando para si mesmo, Moisés entendeu, ainda mais, a grande lição que Deus queria transmitir para ele. Afinal, o “velho” legislador israelita estava, então, com 120 anos de idade. Mas, ao ser notificado de que não entraria na Terra Prometida, Moisés lamentou profundamente; pois, segundo ele mesmo, seu vigor ainda era o mesmo de quando fora ao Egito libertar o povo de Deus.

A sarça que arde, sem se consumir, lembra o homem que, apesar de acossado por constantes aflições e desapontamentos, faz dos mesmos degraus de aprendizado e crescimento, não se deixando abater pelas suas desventuras. E uma palavra me vem à mente, para descrever o sentimento de uma pessoa em circunstância semelhante: SERENIDADE. Isso lembra a famosa “Oração da Serenidade”. “Oh, Senhor! Dá-me serenidade para aceitar as coisas que não podem ser mudadas. Dá-me coragem para mudar as que podem ser mudadas. E sabedoria para discernir entre ambas!” Quão mais fácil seria suportar a dor, a perda, o revés, se o homem encarasse os mesmos com atitude serena, tranquila! Se a prudência é a virtude para se evitarem muitos sofrimentos desnecessários, a serenidade a é para se enfrentar o sofrimento necessário.

Muitos homens têm procurado o “elixir da juventude”, o prolongador da vida. Não sabem que ele já existe! E que seu nome é serenidade! Eis a minha definição de serenidade: Serenidade é continuar com uma atitude de confiança, ainda que a própria confiança nos dê razão para a desconfiança! Imagine, leitor(a), uma pessoa que confia nas promessas de Deus. Confiante em tais promessas, ela se coloca nas mãos do Criador. A partir de então, sua vida toma um rumo inesperado. O sofrimento passa a ser o seu quinhão de todos os dias. Sua confiança está em que Deus a abençoará. Mas a realidade é bem diferente. Pense: Sua própria confiança, continuamente frustrada, finalmente, poderia levá-la a desconfiar de Deus! Mas, a despeito do sofrimento, ela decide continuar confiando em Deus. Isso é serenidade em ação!

Uma atitude serena diante dos problemas da vida, das mudanças bruscas que o mundo sofre. Apenas isso pode manter o homem equilibrado, diante das reviravoltas da vida adulta. É o segundo ponto a ser percebido, no episódio da sarça ardente, em relação com a idade adulta. É bom lembrar que serenidade não é sinônimo de conformismo. O conformista senta-se e lamenta profundamente a desgraça que sofreu; valendo-se da mesma para enterrar seus sonhos, suas aspirações. O sereno encara as tragédias como parte de suas experiências e avança; sofrendo, sim, mas crendo que é possível alterar as coisas e direcioná-las para o alvo proposto. O adulto sereno, tranquilo, consegue enxergar além dos desafios, dos riscos! Sabe que não há vitória, sem batalha; não há coroa, sem cruz; não há lucros, sem investimento. Se fosse possível, à sarça, manifestar quaisquer sentimentos, eles seriam serenidade e contentamento. Serenidade, porque estava ardendo e, mesmo assim, não se consumia. E contentamento porque, sendo preservada, ainda tinha esperança. E isso era o que, de fato, importava!

Serenidade e contentamento! Sentimentos indispensáveis para se desfrutar os privilégios da idade adulta. Serenidade para encarar os dissabores e as frustrações que ela pode acarretar. Contentamento para ser grato pelo que ela pode oferecer. Qualidades que o apóstolo Paulo soube cultivar muito bem! Dizia ele: “Sinto

prazer nas necessidades, nas perseguições, nas angústias, por amor de Cristo. Porque, quando sou fraco, então, é que sou forte” (2Co 12:10). Apenas o homem que alcançou tal grau de serenidade, pode ter prazer no sofrimento! Ele dizia, ainda: “Aprendi a viver contente em toda e qualquer situação” (Fp 4:11). Paulo exemplifica muito bem o adulto consciente, que entende que a realidade é cheia de desafios e perigos. Mas exemplificou, igualmente, o adulto sereno, calmo, confiante e arrojado, disposto a correr os riscos e colher os frutos da existência. Nenhum homem, depois de Jesus, sofreu tanto quanto Paulo! 2Co 11:10-12:7 descreve o quanto esse homem sofreu, em defesa do Evangelho, durante a sua vida! E, nos últimos dias, seu sofrimento intensificou-se pela consciência de que morreria como mártir. Mesmo assim, Paulo morreu idoso e apenas porque foi assassinado. Qual o segredo da sua longevidade? Serenidade e contentamento! Confiança e gratidão!

Da mesma forma, aquele que, na vida adulta, encara as dificuldades com uma atitude serena, confiante, tem maior probabilidade de superá-las, de sublimá-las. E se cultiva um espírito de gratidão, de reconhecimento, terá maiores chances de ser feliz. Isso se refletirá em sua saúde física, mental e espiritual. E, enquanto muitos, ao seu lado, terminarão seus dias precocemente, consumidos pelos inúmeros “fogos” da existência, ele verá, às vezes milagrosamente, os seus dias prolongados na Terra. Poderá, sim, arder no fogo do sofrimento. Mas não será consumido por ele!

Caro leitor(a)! Não estranhe o fogo que o(a) faz arder! Confie que Deus tem o controle do fogo! Ele não permitirá um sofrimento maior do que você é capaz de suportar! Na próxima semana, veremos uma terceira e penúltima lição, certamente, a mais importante de todas! Que o Senhor o(a) abençoe grandiosamente!

Colunista Portal: Ronival Gonçalves

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

*