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28/01/2011

Acidente Vascular Cerebral (AVC)


O AVC é popularmente conhecido como derrame cerebral, é um nome carregado de significado. Acidente quer dizer acontecimento inesperado que, na maioria das vezes, envolve dano e sofrimento. Vascular refere-se a vasos e esse acidente se chama vascular cerebral porque acomete uma das artérias que irrigam o cérebro danificando a área por ela irrigada. Existem dois grandes grupos de acidentes vasculares cerebrais: os isquêmicos e os hemorrágicos.

O cérebro é uma estrutura altamente vascularizada. Inúmeras artérias se ramificam no interior do tecido cerebral para levar oxigênio e nutrientes necessários para seu o funcionamento adequado. Quando uma dessas artérias sofre oclusão, o território que deveria ser irrigado por ela entra em processo de anóxia, ou seja, de falta de oxigênio e muitas células, principalmente muitos neurônios, morrem. Esses eventos caracterizam o acidente vascular cerebral isquêmico. Já o hemorrágico acontece quando uma artéria se rompe e o sangue que deixa escapar dá origem a um hematoma, ou coágulo, que provoca sofrimento no tecido cerebral.

Como cada área do cérebro coordena determinada função do organismo, os sintomas provocados pelo AVC são muito variáveis. Vão desde alterações motoras evidentes - a pessoa perde o movimento do braço - até alterações cognitivas e da memória, da visão e da audição muito sutis que podem até passar despercebidas pelo paciente ou por quem está perto dele. No entanto, os sintomas se instalam sempre abruptamente, podem regredir ou mesmo desaparecer depois de algum tempo.

O AVC pode limitar de modo significativo o desempenho funcional, com conseqüências negativas nas relações pessoais, familiares, sociais e, sobretudo na qualidade de vida. . Essa limitação, entretanto, nem sempre se deve ao déficit neurológico em si.

Complicações psiquiátricas têm sido indicadas como fatores determinantes da incapacitação do paciente após o AVC como a depressão, e é a mais prevalente e a que mais tem sido associada a um pior prognóstico.

O prejuízo funcional é caracterizado pelo grau de incapacidade para realizar determinadas atividades devido a um comprometimento neurológico. As deficiências motoras se caracterizam por paralisia (hemiplegia) ou fraqueza (hemiparesia) no lado do corpo oposto ao local da lesão.


FATORES DE RISCO PARO O AVC

São fatores de risco para tal disfunção, idade, raça, sexo e história familiar classificando-se em não modificáveis; já os modificáveis são: hipertensão arterial, diabetes mellitus, ataque isquêmico transitório, doença cardíaca, anormalidades lipoprotéicas, fumo, consumo de bebidas alcoólica, contraceptivos orais e obesidade.


SINAIS QUE PRECEDEM UM DERRAME

• Cefaleia intensa e súbita sem causa aparente
• Dormência nos braços e nas pernas
• Dificuldade de falar e perda de equilíbrio
• Diminuição ou perda súbita da força na face, braço ou perna do lado esquerdo ou direito do corpo
• Alteração súbita da sensibilidade, com sensação de formigamento na face, braço ou perna de um lado do corpo
• Perda súbita de visão em um olho ou nos dois
• Alteração aguda da fala, incluindo dificuldade para articular e expressar palavras ou para compreender a linguagem
• Instabilidade, vertigem súbita e intensa e desequilíbrio associado a náuseas ou vômitos


PRIMEIROS CUIDADOS COM O PACIENTE VITIMADO PELO AVC

As primeiras medida de tratamento do paciente com AVC estão a cargo do médico. Este precisa intervir imediatamente, e em caráter de urgência logo após o AVC. Não há tempo a perder. Recomenda-se manter o paciente aquecido enquanto se espera pelo médico. Caso esteja inconsciente, ele deve ser virado de bruços, com a cabeça voltada para o lado, a fim de deixar as vias aéreas livres para a respiração; a língua deve permanecer na porção anterior da cavidade bucal, para evitar sufocamento. O médico decidirá sobre o futuro imediato do doente. Ele precisa fazer a escolha entre o tratamento domiciliar e a internação em hospital.

A equipe de assistência ao doente com AVC contará com fisioterapeutas, enfermeiros, assistentes sociais, nutricionista, psicólogo, terapeuta ocupacional e fonoaudiólogo.

Um breve período inicial de internação é indispensável em numerosos casos, mas o paciente deve retornar ao lar, o mais rapidamente possível. Quase sempre, a estas alturas, ele terá necessidade de reabilitação bem conduzida, para evitar a instalação de graves seqüelas. Seja qual for a decisão, o certo é que a reabilitação deve ser iniciada de imediato e que a ajuda dos familiares se reveste da maior importância.Ao tratar um AVC que acabou de ocorrer, cada minuto conta.

Derrames cerebrais isquêmicos, o tipo mais comum, podem ser tratados com medicamentos trombolíticos. Esses medicamentos interrompem o derrame ao dissolvem o coágulo sanguíneo que está bloqueando o fluxo de sangue ao cérebro. Porém, a pessoa precisa estar no hospital o mais rápido possível depois do começo dos sintomas do AVC para avaliação e tratamento. Uma vez que os medicamentos trombolíticos podem elevar o sangramento, eles devem ser usados somente depois que o médico tiver certeza que o paciente sofre um derrame cerebral isquêmico e não um hemorrágico.

As incapacitações decorrentes de AVC são devastadoras para o paciente e sua família, porém terapias estão disponíveis para ajudar. Para a maioria dos pacientes de AVC a reabilitação envolve fisioterapia. O objetivo da fisioterapia é fazer o paciente de AVC reaprender atividades motoras simples como caminhar, sentar, ficar em pé, deitar, e o processo de passar de um movimento para outro.

Outro tipo de terapia para ajudar o paciente a reaprender atividades rotineiras é a terapia ocupacional. Esse tipo de terapia também envolve exercícios e treinamento. O objetivo é ajudar o paciente de AVC a reaprender atividades rotineiras como comer, beber e engolir, vestir, tomar banho, usar o banheiro, ler e escrever.

Problemas de fala e linguagem aparecem quando o dano cerebral ocorre nos centros de linguagem do cérebro. Devido à grande capacidade do cérebro aprender e adaptar, outras áreas podem tomar algumas das funções perdidas.

A terapia da fala ajuda pacientes de AVC a reaprender a capacidade de linguagem e da fala. Ela é apropriada para pacientes sem problemas cognitivos e de raciocínio, mas com problema de compreender a fala ou palavras escritas, ou com dificuldade de falar. Com tempo e paciência o sobrevivente de um AVC pode ser capaz de recuperar uma parte e algumas vezes toda a capacidade de fala e linguagem.

O tratamento para referida doença baseia-se no controle dos fatores de risco, como controle da pressão arterial, do diabetes mellitus, do sedentarismo, planejando assim, a prática de exercícios físicos para uma aproximação da normalidade, otimizando o potencial do paciente para a recuperação funcional.

Muitos pacientes também precisam de terapia psicológica e remédios para tratar problemas como depressão, ansiedade, frustração e raiva.


O PAPEL DO FISIOTERAPEUTA

Tão logo o paciente esteja ciente de sua situação e da extensão de sua deficiência, ele é envolvido por muitas emoções diferentes. O fisioterapeuta irá ajudá-lo a entender o que lhe aconteceu e a responder eficientemente à medida que o paciente tente se adaptar.

A reabilitação após o AVC significa ajudar o paciente a usar plenamente toda sua capacidade, a reassumir sua vida anterior adaptando-se a sua atual situação.

O fisioterapeuta começará por atividades de mobilidade. Esta atividade o fará libertar-se de "medos" e "inseguranças" causados pelo desequilíbrio corporal. Serão realizados exercícios de fortalecimento e alongamento muscular, treino de equilíbrio e estímulos da sensibilidade.

Muitas atividades fisioterapêuticas que começaram durante o início da recuperação, são apropriadamente modificadas para desafiar e fazer com que o paciente possa progredir até sua recuperação. Serão enfatizadas combinações motoras que permitem a concretização das tarefas alimentares, higiênicas, locomoção e outras tarefas funcionais.


INTERVENÇÃO DA FAMÍLIA NA REABILITAÇÃO DO DOENTE COM A.V.C

A reabilitação do acidente vascular cerebral (AVC) constitui um processo lento de aprendizagem com o objetivo de maximizar as potencialidades do indivíduo e prepará-lo para a reintegração tão completa quanto possível na vida comunitária, tendo em consideração o conceito de qualidade de vida.

Na abordagem tradicional ao doente com AVC o profissional de reabilitação assume um papel autoritário e o doente e a família um papel passivo, favorecendo assim a dependência.

É comum julgar-se a eficácia de um programa de reabilitação com base no desempenho do doente num ambiente protegido; não fornecendo ao doente novas estratégias que facilitem a sua transição para a comunidade

Os familiares ou quem mais diretamente se relaciona com o doente, muitas vezes sem saber como lidar com o problema, agem de uma forma mais afetiva do que racional e efetiva.

É convicção de uma equipe que o envolvimento da família no processo de reabilitação favoreça a integração do doente e promova a sua qualidade de vida. Assim, através da introdução de um programa específico de educação e apoio á família, se possa ou não, confirmar que a intervenção direta da família na reabilitação do doente com seqüelas de AVC facilita a sua integração bio-psico-social.


REFERÊNCIAS:

ADLER, Susan S.; BECKERS, Dominiek; BUCK, Math. Pnf facilitação neuromuscular proprioceptiva: um guia ilustrado. São Paulo: Manole, 1999. 257 p.

BOBATH, Berta. Hemiplegia no adulto: avaliação e tratamento. São Paulo: Manole, 1978. 181 p.

DAVIES, Patrícia M. Exatamente no centro: atividade seletiva do tronco no tratamento de hemiplegia no adulto. São Paulo: Manole, 1996.

DAVIES, Patrícia M. Passos a seguir: um manual para o tratamento de hemeplegia no adulto. São Paulo: Manole, 1996.

LEITÃO, Araújo; LEITÃO, Valéria de Araújo. Clínica de reabilitação. São Paulo: Livraria Atheneu, 1995. 456 p.

OLIVEIRA, M. E. S.; AMNUNCIATO, N. F. Neuroplasticidade: fundamentos para reabilitação do paciente neurológico adulto. Fisioterapia em movimento, v 14, n. 2, p. 11-20, out/mar de 2001/2002.


 



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