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25/11/2011
Escoliose
Para entender o que é escoliose, devemos saber que a coluna vertebral. Vista por trás, deve ser \"reta\". Quando a coluna se apresenta curva, no plano das costas, essa deformidade é denominada escoliose. A escoliose pode apresentar uma curva em \"C\" ou uma dupla curva em \"S\". (Figura 1).
Por outro lado, a escoliose é uma doença e deve ser tratada como tal. Antigamente, acreditava-se que a escoliose era somente um desvio lateral da coluna, chamada pelos leigos de \"coluna torta\". Atualmente, a definição correta é a de que a escoliose é um desvio tridimensional da coluna vertebral, ou seja, a coluna desvia-se nos três planos do espaço. Assim, a coluna realmente se torce, não somente para os lados, mas também para frente/trás e em volta de seu próprio eixo.
CLASSIFICAÇÃO DA ESCOLIOSE
A escoliose pode ser classificada segundo a sua etiologia:
ESTRUTURAL: Na escoliose estrutural é caracterizada pela rotação dos corpos vertebrais em direção à convexidade da curva, com os processos espinhosos direcionando-se para a concavidade da curva. Os espaços intervertebrais são estreitos no lado côncavo e alargado no lado convexo. Esta deformação do corpo vertebral e a capacidade vital são consideradas reduzidas quando a curva lateral é maior que 60 graus. Também ocorre compressão e mau posicionamento de órgãos no interior da caixa torácica, levando a problemas cardíacos e pulmonares. A escoliose estrutural pode ser idiopática, neuromuscular e congênita;
ESCOLIOSE IDIOPÁTICA - Representa 85% de todos os casos de escoliose estrutural. Nesta forma de escoliose não é conhecida sua causa, por isso é chamada de idiopática. Elas podem apresentar em três faixa etária, na infantil (desde o nascimento), juvenil (3 anos a 9 anos de idade) e adolescente (10 a 18 anos). Acometem cerca de oito vezes mais as meninas que os meninos. É uma doença do crescimento, ou seja, quanto menor for a criança, mais cuidados deveremos ter. Por outro lado, é durante os estirões que temos as maiores possibilidades de que ela \"apareça\" e, por isso, devemos redobrar nossas atenções em relação a ela, nestes períodos.
ESCOLIOSE NEUROMUSCULAR - As deformidades na coluna são freqüentes e graves, principalmente naqueles pacientes que não conseguem andar, devido à gravidade da doença. Os portadores de distrofia muscular costumam apresentar rápida progressão de sua escoliose quando ocorre diminuição da capacidade de andar. Nos casos graves de paralisia cerebral as deformidades da coluna costumam evoluir com maior rapidez, pois existe uma associação de fatores congênitos e neuromusculares.
ESCOLIOSE CONGÊNITA - Esta deformidade pode ser causada basicamente por dois tipos de malformações: defeitos de formação, que são que são devido à ausência parcial ou total de determinadas vértebras ou defeito de segmento. Estes defeitos podem ocorrer simultaneamente. As malformações acima descritas podem causar assimetrias durante o desenvolvimento do paciente, resultando em deformidades da coluna
ESCOLIOSE NÃO ESTRUTURAL: A não estrutural pode ser causada por problemas posturais, infecções das raízes nervosas, discrepância dos membros inferiores ou contraturas, dor nos músculos da coluna vertebral por compressão das raízes nervosas ou outra lesão na coluna. A curva desaparece quando o paciente senta-se, com a flexão da coluna vertebral ou bem com o decúbito (deitado).
VÁRIOS GRAUS DA ESCOLIOSE
Escolioses com curvaturas de 10 graus ou menos não causam dor, não diminuem a força, a mobilidade, a resistência ou qualquer outra função do corpo, não progridem e não aumentam a chance de se ter dores nas costas, artrite, hérnia de disco ou qualquer problema muscular. Por isso, não exigem tratamento.
Já as curvaturas entre 10 e 20 graus merecem ser acompanhadas porque, embora também não causem maiores problemas, podem progredir durante o crescimento da pessoa. Se a escoliose for descoberta já com curvatura maior que 20 graus e a pessoa ainda tiver potencial de crescimento, é preciso tratá-la imediatamente.
Quando se desenvolve nas crianças antes dos três anos, a escoliose pode evoluir para formas muito graves, chegando a ângulos superiores a 100 graus.
INDICAÇÃO DO COLETE MILWAUKEE
As indicações mais claras do colete de Milwalkee são as curvas flexíveis e de mediana intensidade (20º a 40º) do adolescente. A partir dos 40º duvida-se da efetividade do colete. A partir dos 60º as curvas devem sempre ser operadas.
O colete deve ser usado 23 horas por dia; há uma hora para a realização de exercícios e higiene. O tempo de uso, em anos, depende da regressão da curvatura. A retirada definitiva do colete deve ser gradativa, até que o emprego da órtese seja somente no período noturno, até o amadurecimento do esqueleto.
AVALIAÇÃO
COMO VERIFICAR SE TUDO ESTÁ BEM
• Com a pessoa ou criança em pé e olhando por detrás pode-se perceber se existe ou não alteração da coluna.
• Se a coluna fizer um desvio, é possível que exista uma escoliose ou outro problema que precisa ser corrigido.
• Da mesma forma, olhando por detrás e pedindo à pessoa ou criança para se inclinar para a frente: (Figura 2).
• Ver se as costas estão de nível ou se um dos lados está mais elevado do que o outro ou
• Um ombro ou área do ombro (ou área torácica) está mais elevado do que o outro
• Ou mesmo se a bacia ou zona lombar fica mais elevada de um lado do que do outro.
• Um ombro mais alto do que o outro quando em pé.
• Uma perna mais curta ou que dá essa ideia. Frequentemente vê-se no comprimento das pernas das calças onde uma precisa de mais baínha do que a outra ou em que as calças junto aos pés não ficam ao mesmo nível.
De toda forma, qualquer duvida deve ser averiguada com o pediatra, o ortopedista ou o fisioterapeuta, o mais rápido possível. Não deixe para mais tarde, pois a escoliose tem um período quando ela é perfeitamente tratável. Se deixarmos para quando a criança já cresceu bastante, as chances de um bom tratamento caem drasticamente.
QUEM DETECTA A ESCOLIOSE?
Por norma cabe sempre aos pais, aos professores (sobretudo os de educação física) a observação da coluna e das posturas da criança ou encaminhar para alguém que possa avaliar a situação, muitas das vezes o ortopedista ou um fisioterapeuta.
Após a avaliação pelo médico e sempre que exista escoliose (mesmo que pequena e \\\"sem importância\\\") há que recorrer a alguém que possa corrigir eficazmente o problema.
COMO SEI SE A MINHA ESCOLIOSE É GRAVE?
Só um especialista vai poder tirar esta dúvida e, muitas vezes, haverá necessidade de um tempo de acompanhamento de alguns meses para verificar a gravidade da sua escoliose. Preste atenção, o seu desvio pode ser somente uma atitude escoliótica, causada, por exemplo, por algum hábito postural inadequado. A atitude escoliótica costuma ter uma evolução bastante favorável. Se, infelizmente, o seu desvio for o de uma escoliose que vai evoluir (dita evolutiva, progressiva ou estrutural), teremos mais trabalho para tratá-la. De toda forma, você não vai ficar esperando para saber se você tem uma atitude escoliótica ou uma escoliose evolutiva. Você deve iniciar o tratamento, que inicialmente deve constar de fisioterapia.
JÁ SOU ADULTO. NÃO PRECISO MAIS ME PREOCUPAR COM A MINHA ESCOLIOSE?
Não é bem assim. As pesquisas dizem que, após a maturação do sistema esquelético, as escolioses podem evoluir, em média, 0,5o por ano, o que, em algumas décadas, pode causar alguns problemas, sobretudo o desgaste ósseo na região das concavidades. Se você é adulto e tem escoliose, é fundamental que você procure um especialista, pelo menos 1 vez por ano, para acompanhamento. Além disso, lembre-se da possibilidade da dor causada pela escoliose com o decorrer da vida.
ESCOLIOSE TEM CURA?
Depende. É fundamental que ela seja diagnosticada o mais breve possível. Podemos falar em boas chances de cura para as atitudes escolióticas. Para as escolioses evolutivas, tudo dependerá da \"agressividade\" da mesma, ou seja, com qual angulação ela foi descoberta, quanto você ainda tem para crescer e uma série de outros fatores que só um especialista poderá dizer. Atualmente, mesmo com toda a melhora dos tratamentos fisioterápicos e ortopédicos, o mais sensato que podemos dizer é que devemos tentar \"bloquear\" a evolução da escoliose.
TRATAMENTO
A escoliose é uma das lesões de mais difícil tratamento. A variação no desenvolvimento e progressão de cada curva vertebral em cada idade faz desta afecção um tema complexo, que exige do profissional conhecimentos muito específicos a fim de poder oferecer a cada paciente o tratamento mais eficaz no momento ideal.
Novamente, dividiremos a resposta em duas: caso se trate de uma atitude escoliótica, a fisioterapia costuma dar bons resultados. No caso de uma escoliose evolutiva, diagnosticada precocemente, são três os recursos existentes: fisioterapia, colete e cirurgia. Evidentemente, estes recursos estão dispostos em ordem de gravidade, ou seja, só se opera uma criança quando todos os outros tipos de tratamento falham e a escoliose continua a evoluir.
O fisioterapeuta pode ainda associar terapias complementares para reforço e relaxamento da musculatura ligada à coluna, como natação, Reestruturação Postural Global (RPG), massagem, quiropraxia, que, se bem orientados, ajudam num bom resultado.
Outro fator de risco para a curvatura da coluna é a diferença no comprimento das pernas, compensada pela coluna com uma curva. Nesses casos, recomenda-se sapatos apropriados ou outras medidas de correção.
A indicação para um programa de educação postural, está associado ao grau da curvatura. Se a curva escoliótica tiver situada entre 0 e 20º, escolioses antálgicas ou posturais, o procedimento usual é realizar exercícios de alongamento visando a compensação da curva, porém, mantendo contato periódico com o ortopedista. Se a curva está entre 20º e 50º, são consideradas escolioses verdadeiras e/ou idiopáticas. O ortopedista deverá indicar o colete de Milwaukee e os exercícios terão como objetivo, intervir nas curvaturas e manter o tônus muscular. Curvas acima de 50º, as escolioses graves, a cirurgia é o método conveniente.
QUANTO TEMPO DURA O TRATAMENTO?
Depende. Tanto para as atitudes escolióticas quanto para as escolioses idiopáticas evolutivas, o período fundamental de tratamento estende-se durante os períodos de crescimento. Generalizando, diríamos que, enquanto a criança crescer, há possibilidade de tratá-la. É claro que há um período, de cerca de ½ ano, quando o crescimento é dramático, e é neste período em que devemos concentrar todos os nossos esforços. Após este período, devemos continuar o tratamento até a completa maturação do sistema ósseo, mas podemos entender que as chances de melhora (ou de piora) reduzem-se bastante.esvios não evoluem, mas cerca de 25% dos casos podem evoluir. A evolução pode justificar somente observação, mas tratamento fisioterápico, ortopédico (utilização de coletes) ou cirúrgico podem ser necessários.
BIBLIOGRAFIA
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Souchard P, Ollier M. As escolioses - Seu tratamento fisioterapêutico e ortopédico. São Paulo: E realizações, 2001.
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