Sobre a incapacidade de dizer não

Sobre a incapacidade de dizer não

Não sei se é um sentimento geral ou algo que afeta apenas a minha cabecinha neurótica, mas dizer “não” para mim sempre pareceu algo inconcebível. Desde que me entendo como ser humano negar algo a alguém se apresentou com um terrível obstáculo, obstáculo este muitas vezes intransponível.
A verdade é que eu sou uma pessoa medrosa e acredito que um dos meus maiores medos esteja justamente no fato de parecer uma pessoa ruim. E quer algo que evidencie isso mais do que um “não” saindo dos lábios?
Desde cedo fui ensinado que o “não” machuca, que responder com recusa é um ato egoísta e acredito que internalizei tanto essas falas que ainda hoje acabo me aprisionando a situações desagradáveis por medo de ficar só. É um medo sorrateiro que se aloja nas minhas entranhas e faz com que eu me anule em troca do bem-estar do outro.
Refleti muito sobre isso e cheguei à conclusão de que não preciso me sujeitar a isso, de que eu não sou obrigado a acatar tudo com um sorriso nos lábios. É natural que eu não vá agradar todas as pessoas, então por que não agradar inicialmente a mim?
Infelizmente perceber não é o mesmo que colocar em prática. Tenho a certeza de que ainda tenho um longo trabalho pela frente e de que não vai ser do dia para a noite que vou começar a lidar com essas questões da maneira correta. É um caminho longo e fico feliz de ter dado o primeiro passo.
Por hora, fica o questionamento: Que prisão é essa que me impede de falar uma palavra? E por que eu mesmo me trancafiei dentro dela?

Colunista Portal: Zaquel José Line

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